Ou a Jujuy, ou a Quetzaltenango

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Na tarde do segundo dia Alina saiu para conhecer a cidade e o degelo. Ou embaixo, como diz Nora, que posa de intelectual emancipada. Antes de nos afastarmos senti tristeza, fechei bem a porta de entrada e joguei a chave no bueiro. Eu lamentava o meu cachimbo de zimbro e acho que Irene pensou em uma garrafa de Hesperidina de muitos anos.

Quando Irene sonhava

Quando Irene sonhava em voz alta, eu acordava imediatamente. De quando em quando me acontece vomitar um coelhinho. Irene estava tricotando em seu quarto, eram oito da noite e, de repente, eu me lembrei de levar a chaleira do mate ao fogo. Agora nos bastavam a mesa no quarto de Irene e as travessas de comida fria.

De quando em quando me acontece

Pergunto-me o que teria feito Irene sem tricotar. Irene sentia falta de umas toalhas, um par de chinelas que a abrigavam muito no inverno. Meus livros de leitura francesa, por exemplo, estavam todos na biblioteca. Concordou com tanta coisa que quase grito.

Tomaram a parte dos fundos. Precisamente entre o primeiro e o segundo andar, senti que ia vomitar um coelhinho. Na noite do concerto eu sentia nas orelhas a quebra do gelo ali embaixo. Mas nessa mesma noite vomitei um coelhinho negro. Vai me fazer mal se continuo me lembrando.

Lembrei-me dos quinze mil pesos no guarda-roupa do meu quarto. Na noite passada adormeci urdindo telegramas, pontos de encontro.

Chegaremos a tempo a seu Bach e a seu Brahms. Entre o final do concerto e o primeiro bis achei seu nome e o caminho. Pareceu-lhe, docemente, que uma das duas chorava. Levo comigo as chaves do quarto ao sair para o trabalho. Fora disso, tudo estava silencioso na casa.